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Em quatro de julho de 1891 o fogo consumiu a Casa Comercial
Trinks localizada na Rua do Meio, hoje 15 de novembro. Baldes
de água de poços e valetas corriam de mão
em mão na tentativa de isolar as chamas e evitar que
se propagassem pelas casas próximas.
O empresário Ernesto Carnac era o Superintendente Municipal,
o prefeito de então. A República ainda não
tinha completado seu segundo ano. O sinistro
movimentou toda a comunidade e os debates resultaram em duas
decisões.
Joinville necessitava ter seu Corpo de Bombeiros que para atuação
eficiente necessitava dos serviços de "água
encanada". O edital para a realização da
instalação foi o último ato de Carnac frente
à administração municipal. Foi então
utilizado o pequeno manancial do Morro do Boa Vista que ainda
existe na área do Zôo-botânico e do Horto
Florestal. |
O serviço de abastecimento de água
de Joinville nasceu municipal e assim permaneceu por 82 anos,
até que em 1973 o então prefeito Pedro Ivo Campos
assinou contrato com validade de 30 anos transferindo a operação
destes serviços para o Estado de Santa Catarina que então
constituiu a Casan - Companhia Catarinense de Águas e
Saneamento para geri-los.
A municipalização dos serviços essenciais
é uma tradição de Joinville e uma característica
joinvilense. É assim com nosso Corpo de Bombeiros, modelo
e exemplo para o Brasil, com a saúde, com a educação,
com a atenção ao idoso e aos carentes. Consciente
disso o Governo Municipal amparado pela vontade da comunidade
criou a Agência Municipal de Água de Esgotos -
AMAE com o fim de implementação de
ações regulatórias referentes à
prestação dos serviços de abastecimento
de água e esgotamento sanitário.
Durante os dois anos que precederam o encerramento do contrato
de concessão que o Município mantinha com a Companhia
Estadual de Saneamento - CASAN, preparou-se numa faina diuturna
para a criação e constituição da
Companhia Águas de Joinville.
A "Águas de Joinville" deverá ter como
um dos objetivos, a busca da sustentabilidade através
de um plano eficaz, que possa, em pouco tempo, reverter as deficiências
encontradas num sistema ultrapassado de saneamento e de atendimento
ao público.
A criação de uma empresa local de economia mista
permite a maximização na transparência dos
procedimentos e das decisões na gestão de tão
importante e vital serviço. A própria comunidade
joinvilense poderá acompanhar de perto os passos que
serão dados pela Companhia Águas de Joinville.
E, no futuro próximo far-se-á mister que os munícipes
venham a compor o quadro de acionistas da própria companhia.
Ou seja, os próprios consumidores poderão participar
de certa forma da gestão da
companhia.
Há que se ressaltar que a busca de recursos, sejam públicos
ou sejam privados, mediante uma empresa sob a forma jurídica
de uma sociedade de economia mista torna-se efetivamente muito
mais ágil e acessível.
Com a criação de uma companhia de saneamento nestes
moldes, o debate atual sobre as parcerias público-privado
há que ser colocado nos seus devidos termos. No caso
em questão, não haverá privatização
do serviço de água e esgoto. Ao contrário,
a "Águas de Joinville", criada pelo município
é que assumirá a gestão do serviço.
A constituição da empresa "Águas de
Joinville" permitirá a necessária expansão
da universalização do serviço de esgotamento
sanitário, algo tão esperado pela comunidade joinvilense.
Todo o déficit de trinta anos em matéria de saneamento
ambiental, a partir da operação da companhia municipal,
será combatido em poucos anos.
Enfim, é a partir da experiência local, com os
erros e os acertos, em matéria de prestação
do serviço de água e esgoto, que a Companhia Municipal
de Saneamento Básico dirigirá suas ações
ampliando significativamente a oferta e a qualidade do serviço
para os joinvilenses, fortalecendo com isso o compromisso com
a vida e a saúde de seu povo.
Henrique Chiste Neto
Diretor Presidente
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