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Joinville - 19/11/2008
 
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Em quatro de julho de 1891 o fogo consumiu a Casa Comercial Trinks localizada na Rua do Meio, hoje 15 de novembro. Baldes de água de poços e valetas corriam de mão em mão na tentativa de isolar as chamas e evitar que se propagassem pelas casas próximas.

O empresário Ernesto Carnac era o Superintendente Municipal, o prefeito de então. A República ainda não tinha completado seu segundo ano. O sinistro
movimentou toda a comunidade e os debates resultaram em duas decisões.

Joinville necessitava ter seu Corpo de Bombeiros que para atuação eficiente necessitava dos serviços de "água encanada". O edital para a realização da instalação foi o último ato de Carnac frente à administração municipal. Foi então utilizado o pequeno manancial do Morro do Boa Vista que ainda existe na área do Zôo-botânico e do Horto Florestal.
O serviço de abastecimento de água de Joinville nasceu municipal e assim permaneceu por 82 anos, até que em 1973 o então prefeito Pedro Ivo Campos assinou contrato com validade de 30 anos transferindo a operação destes serviços para o Estado de Santa Catarina que então constituiu a Casan - Companhia Catarinense de Águas e Saneamento para geri-los.

A municipalização dos serviços essenciais é uma tradição de Joinville e uma característica joinvilense. É assim com nosso Corpo de Bombeiros, modelo e exemplo para o Brasil, com a saúde, com a educação, com a atenção ao idoso e aos carentes. Consciente disso o Governo Municipal amparado pela vontade da comunidade criou a Agência Municipal de Água de Esgotos - AMAE com o fim de implementação de
ações regulatórias referentes à prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Durante os dois anos que precederam o encerramento do contrato de concessão que o Município mantinha com a Companhia Estadual de Saneamento - CASAN, preparou-se numa faina diuturna para a criação e constituição da Companhia Águas de Joinville.

A "Águas de Joinville" deverá ter como um dos objetivos, a busca da sustentabilidade através de um plano eficaz, que possa, em pouco tempo, reverter as deficiências encontradas num sistema ultrapassado de saneamento e de atendimento ao público.

A criação de uma empresa local de economia mista permite a maximização na transparência dos procedimentos e das decisões na gestão de tão importante e vital serviço. A própria comunidade joinvilense poderá acompanhar de perto os passos que serão dados pela Companhia Águas de Joinville. E, no futuro próximo far-se-á mister que os munícipes venham a compor o quadro de acionistas da própria companhia. Ou seja, os próprios consumidores poderão participar de certa forma da gestão da
companhia.

Há que se ressaltar que a busca de recursos, sejam públicos ou sejam privados, mediante uma empresa sob a forma jurídica de uma sociedade de economia mista torna-se efetivamente muito mais ágil e acessível.

Com a criação de uma companhia de saneamento nestes moldes, o debate atual sobre as parcerias público-privado há que ser colocado nos seus devidos termos. No caso em questão, não haverá privatização do serviço de água e esgoto. Ao contrário, a "Águas de Joinville", criada pelo município é que assumirá a gestão do serviço.

A constituição da empresa "Águas de Joinville" permitirá a necessária expansão da universalização do serviço de esgotamento sanitário, algo tão esperado pela comunidade joinvilense. Todo o déficit de trinta anos em matéria de saneamento ambiental, a partir da operação da companhia municipal, será combatido em poucos anos.

Enfim, é a partir da experiência local, com os erros e os acertos, em matéria de prestação do serviço de água e esgoto, que a Companhia Municipal de Saneamento Básico dirigirá suas ações ampliando significativamente a oferta e a qualidade do serviço para os joinvilenses, fortalecendo com isso o compromisso com a vida e a saúde de seu povo.



Henrique Chiste Neto
Diretor Presidente